Declaração Pré-Preenchida: inconsistências, riscos e orientações

Resumo

Nos primeiros dias de entrega do IRPF 2026/2025 foram relatadas inúmeras inconsistências e instabilidades na Declaração Pré-Preenchida disponibilizada pela Receita Federal. Nesse post abordamos as falhas mais comuns, as causas apontadas pela Receita Federal e orientações práticas a serem adotadas para evitar riscos fiscais.

A Declaração Pré-Preenchida, apesar de ser uma praticidade na hora de declarar, permanece sendo uma ferramenta auxiliar, sendo a responsabilidade pelas informações declaradas à Receita Federal do próprio contribuinte. Portanto, a recomendação central é validar todos os dados com documentos oficiais antes do envio da declaração.

Quais inconsistências foram identificadas?

Foram registrados problemas de diversas naturezas:

  • Dificuldade no acesso ao sistema via Gov.br;
  • Mensagens de erro e lentidão no portal da Receita Federal;
  • Em relação aos dados importados, inconsistências nos valores dos rendimentos recebidos de pessoas jurídicas;
  • Divergências de valores das despesas médicas;
  • Informações incompletas de reembolsos de planos de saúde.

Também houve ocorrências de dados bancários incompletos, informações cadastrais desatualizadas (por exemplo, dependentes) e rendimentos ou despesas que não foram carregados na Declaração Pré-Preenchida.

Por que essas inconsistências aconteceram?

A Receita Federal atribui as falhas, principalmente, à nova sistemática de captura das informações enviadas por terceiros, como bancos, empresas, operadoras de saúde, escolas e profissionais liberais.

Esses dados eram capturados anteriormente por meio da DIRF, que deixou de existir em 31/12/2024. A partir de 01/01/2025, a Receita Federal passou a capturar informações de outras fontes, como sistemas, como o eSocial e a EFD-Reinf.

Por ser o primeiro ano nessa nova sistemática, a Receita Federal reconhece a existência dessas inconsistências na Declaração Pré-Preenchida e orienta para que os contribuintes revisem a declaração de IRPF antes de transmitir.

O que fazer quando forem identificadas inconsistências?

A Declaração Pré-Preenchida é descrita como apenas uma ferramenta auxiliar, mas a responsabilidade pelas informações é integralmente do contribuinte.

Mesmo com dados importados pela Receita Federal, o risco de malha fina permanece se houver divergências.

Por isso, o contribuinte deve revisar a declaração com base nos documentos oficiais em sua posse, devendo ajustar os valores que estiverem divergentes e incluir informações que estiverem faltando.

As informações que devem prevalecer são sempre dos documentos oficiais em sua posse ao invés dos dados importados na Declaração Pré-Preenchida.

Se você desconfiar que o documento oficial está errado, entre em contato com a empresa que emitiu o documento para confirmar os valores. Nunca confie na Declaração Pré-Preenchida como sendo uma informação oficial.

Quais itens merecem atenção especial?

Despesas médicas são o principal foco de fiscalização e exigem atenção redobrada, especialmente quando há reembolso por planos de saúde. Verifique também rendimentos informados por múltiplas fontes, a correta indicação de dependentes e vínculos, rendimentos isentos e aplicações financeiras.

Confirme prestadores e valores: erros em nomes, CNPJ/CPF ou valores zerados podem gerar divergências e questionamentos pela Receita.

Quais são os riscos práticos?

Dada esse nova sistemática de captura de dados por parte da Receita Fededal, é notório que as declarações de IRPF relativas ao ano-calendário de 2025 terão maior risco de cairem na malha-fina, já que a Receita Federal precisará solicitar documentos comprobatórios aos contribuintes para validar as informações declaradas no IRPF.

Se isso acontecer com você, não se preocupe. Por isso é importante realizar o preenchimento da declaração de IRPF com base em documentos comprobatórios.

Assim, se a sua declaração cair na malha-fina, bastará apresentar a documentação suporte para que a Receita Federal valide os valores e libere a declaração da malha-fina.

As pessoas que transmitirem informações constantes na Declaração Pré-Preenchida sem revisar com os documentos comprobatórios, terão um risco aumentado de autuações fiscais ou necessidade de retificação da declaração.

Conclusão

O cenário do IRPF 2026/2025 exige cautela, revisão criteriosa e acompanhamento profissional: a Declaração Pré-Preenchida é útil, mas dadas as inconsistências nessa fase de transição, ela não substitui a conferência documental minuciosa. Priorize documentos oficiais, valide reembolsos e despesas médicas e confira rendimentos de múltiplas fontes antes do envio.

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