Resumo
Nos primeiros dias de entrega do IRPF 2026/2025 foram relatadas inúmeras inconsistências e instabilidades na Declaração Pré-Preenchida disponibilizada pela Receita Federal. Nesse post, abordamos as falhas mais comuns, as causas apontadas pela Receita Federal e orientações práticas a serem adotadas para evitar riscos fiscais.
A Declaração Pré-Preenchida, embora traga praticidade no momento da entrega da declaração, continua sendo apenas uma ferramenta de apoio, cabendo ao próprio contribuinte a responsabilidade pelas informações prestadas à Receita Federal.. Portanto, a recomendação central é validar todos os dados com documentos oficiais antes do envio da declaração.
Quais inconsistências foram identificadas?
Foram registrados problemas de diversas naturezas:
- Dificuldade no acesso ao sistema via Gov.br;
- Mensagens de erro e lentidão no portal da Receita Federal;
- Em relação aos dados importados, inconsistências nos valores dos rendimentos recebidos de empresas;
- Divergências de valores das despesas médicas;
- Informações incompletas de reembolsos de planos de saúde.
Também houve ocorrências de dados bancários incompletos, informações cadastrais desatualizadas (por exemplo, dependentes) e rendimentos ou despesas que não foram carregados na Declaração Pré-Preenchida.
Por que essas inconsistências aconteceram?
A Receita Federal atribui as falhas, principalmente, à nova sistemática de captura das informações enviadas por terceiros, como bancos, empresas, operadoras de saúde, escolas e profissionais liberais.
Esses dados eram capturados anteriormente por meio da DIRF, que deixou de existir em 2024.
A partir de 2025, a Receita Federal passou a capturar informações de novas fontes, como o eSocial e a EFD-Reinf.
Por ser o primeiro ano nessa nova sistemática, a Receita Federal reconhece a existência dessas inconsistências na Declaração Pré-Preenchida e orienta para que os contribuintes revisem a declaração de IRPF antes de transmitir.
O que fazer quando forem identificadas inconsistências?
A Declaração Pré-Preenchida é descrita como apenas uma ferramenta auxiliar, mas a responsabilidade pelas informações é integralmente do contribuinte.
Mesmo com dados importados pela Receita Federal, o risco de malha-fina permanece se houver divergências.
Por isso, o contribuinte deve revisar a declaração com base nos documentos oficiais em sua posse, devendo ajustar os valores que estiverem divergentes e incluir informações que estiverem faltando.
As informações que devem prevalecer são sempre dos documentos oficiais em sua posse, ao invés dos dados importados na Declaração Pré-Preenchida.
Se você desconfiar que o documento oficial está errado, entre em contato com a empresa que emitiu o documento para confirmar os valores. Nunca confie na Declaração Pré-Preenchida como sendo uma informação oficial.
Quais itens merecem atenção especial?
Despesas médicas são o principal foco de fiscalização e exigem atenção redobrada, especialmente quando há reembolso por planos de saúde.
Verifique também se os rendimentos tributáveis batem com o Informe de Rendimento emitido pelas fontes pagadores, inclusive em relação aos dependentes.
Quais são os riscos práticos?
Dada essa nova sistemática de captura de dados por parte da Receita Federal, é notório que as declarações de IRPF relativas ao ano-calendário de 2025 terão maior risco de caírem na malha-fina, já que a Receita Federal precisará solicitar documentos comprobatórios aos contribuintes para validar as informações declaradas no IRPF.
Se isso acontecer com você, não se preocupe.
Por isso é importante realizar o preenchimento da declaração de IRPF com base em documentos comprobatórios.
Assim, se a sua declaração cair na malha-fina, bastará apresentar a documentação suporte para que a Receita Federal valide os valores e libere a declaração da malha-fina. É um procedimento bem simples.
As pessoas que transmitirem informações constantes na Declaração Pré-Preenchida sem revisar com os documentos comprobatórios terão um risco aumentado de autuações fiscais ou necessidade de retificação da declaração.
Conclusão
O cenário do IRPF 2026/2025 exige cautela, revisão criteriosa e acompanhamento profissional: a Declaração Pré-Preenchida é útil, mas, dadas as inconsistências nessa fase de transição, ela não substitui uma conferência documental minuciosa. Priorize documentos oficiais, valide reembolsos e despesas médicas e confira rendimentos de múltiplas fontes antes do envio.
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